Publicação

Retrospectiva Brasil 2022

Retrospectiva Brasil 2022

Retrospectiva Brasil 2022

Autores

Johanna Nublat
Amanda Faria Lima
André Amaral
Joachim Stassart
Klei Medeiros
Maria Dominguez
Maria Regina Reis
Renato Morgado

Data

URI

https://docs.transparenciainternacional.org.br/biblioteca/retrospectiva-brasil-2022.pdf

Como citar

NUBLAT, J.; LIMA, A. F.; AMARAL, A.; STASSART, J.; MEDEIROS, K.; DOMINGUEZ, M.; REIS, M. R.; MORGADO, R. Retrospectiva Brasil 2022. Transparência Internacional - Brasil, 2023. E-book. Disponível em: <https://transparenciainternacional.org.br/publicacoes/retrospectiva-brasil-2022/>. Acesso em 13/05/2026.

Formatos disponíveis

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A Retrospectiva Brasil é um relatório analítico independente publicado anualmente pela Transparência Internacional – Brasil desde 2020. A edição de 2022 foi publicada em janeiro de 2023. O relatório registra e analisa os fatos mais relevantes do ano para a agenda de anticorrupção, integridade pública e qualidade democrática no Brasil, com ênfase no encerramento do mandato do presidente Jair Bolsonaro, no processo eleitoral de outubro de 2022 e nos primeiros sinais do período de transição.

A publicação é estruturada em seis seções temáticas: Governo Federal, Legislativo, Ministério Público, Judiciário e Espaço Cívico, precedidas por uma introdução e por destaques gerais positivos e negativos, e seguidas de recomendações institucionais.

O cenário de 2022

O relatório avalia 2022 como o ano em que se encerrou, formalmente, o processo de desmanche acelerado dos marcos legais e institucionais anticorrupção promovido pelo governo Bolsonaro, e como o ponto de inflexão que coloca o Brasil diante do desafio da reconstrução. O texto parte da tese de que o desmonte do arcabouço anticorrupção e a degradação do regime democrático estão estreitamente relacionados — e que ambos os processos chegaram, em 2022, a seu ponto mais crítico.

O relatório destaca dois eventos centrais do ano. O primeiro é a decisão plenária do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional o Orçamento Secreto — classificado pelo relatório como o maior esquema de corrupção institucionalizada com registro no Brasil —, seguindo o voto da ministra Rosa Weber. O segundo é a condução, pela Justiça Eleitoral, de eleições íntegras e transparentes, mesmo sob ataques sistemáticos do então presidente Bolsonaro e seus aliados ao sistema eleitoral e ao próprio Tribunal Superior Eleitoral.

O relatório documenta também a forte mobilização da sociedade brasileira em defesa da governança democrática ao longo do ano, unindo empresariado, sindicatos, organizações da sociedade civil e academia contra processos de desinformação e ameaças de ruptura institucional.

Governo Federal

A análise do Poder Executivo cobre os últimos meses do governo Bolsonaro e documenta: a ingerência contínua sobre órgãos de controle para blindagem do presidente, de familiares e aliados; esquemas de corrupção revelados pela imprensa envolvendo o Ministério da Educação, a Codevasf e o pagamento em dinheiro vivo de imóveis pela família Bolsonaro; e graves ingerências políticas sobre a Petrobras, seguidas de aprovação relâmpago de reforma da Lei das Estatais que fragilizou mecanismos de integridade na empresa.

Legislativo

No Poder Legislativo, o relatório examina os efeitos do Orçamento Secreto sobre a competição eleitoral de outubro de 2022, documentando a vantagem estatisticamente significativa obtida pelos parlamentares do Centrão com acesso privilegiado às emendas do relator. O relatório analisa a relação entre o esquema e os índices de reeleição, apontando que entre os 50 parlamentares com maior volume de emendas do relator, 86% se reelegeram.

Ministério Público

O relatório analisa as consequências das omissões sistemáticas da Procuradoria-Geral da República sob a gestão de Augusto Aras, com ênfase na retração da capacidade institucional do Ministério Público Federal para o enfrentamento à macrocorrupção e no controle constitucional dos atos do governo.

Judiciário

Na seção do Judiciário, o relatório registra decisões do STF na chamada “pauta verde”, estabelecendo precedentes fundamentais para responsabilização do governo pelo desmanche da governança ambiental e reconhecendo que acordos internacionais sobre clima são hierarquicamente equiparáveis a tratados de direitos humanos. Também são documentados casos de anulações de sentenças confirmadas por múltiplas instâncias, e os julgamentos no Tribunal de Contas da União e no Conselho Nacional do Ministério Público que condenaram ex-integrantes da Operação Lava Jato, contrariando pareceres técnicos.

Espaço Cívico

A seção sobre espaço cívico documenta o período de deterioração mais intensa da liberdade de imprensa e da atuação das organizações da sociedade civil, com ataques sistemáticos do presidente da República, uso de canais oficiais para disseminação de desinformação e registros de vigilância de ativistas e jornalistas. O relatório registra também os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, no contexto de crimes ambientais na Amazônia.

Recomendações

As recomendações são endereçadas ao novo governo federal, ao Congresso Nacional, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Entre os temas centrais estão: a reinstituição da autonomia das instituições de controle; a recuperação dos mecanismos de transparência e participação social; o enfrentamento do Orçamento Secreto e de suas práticas correlatas; a revisão de reformas que fragilizaram a Lei de Improbidade Administrativa e outros marcos anticorrupção; a promoção da diversidade no sistema de Justiça; e o cumprimento de acordos internacionais anticorrupção.

Grupo de Trabalho

Retrospectiva Brasil 2022

O relatório analisa os principais fatos que marcaram a agenda anticorrupção e de transparência no ano, englobando governo federal, Congresso Nacional, Judiciário, Ministério Público e o espaço cívico nacional.
LÍDER

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