Publicação

Retrospectiva Brasil 2019

Retrospectiva Brasil 2019

Autores

Guilherme France (coord.)
Dário Machado
Guilherme Donegá
Maria Dominguez
Renato Morgado
Vinicius Reis

Data

URI

https://docs.transparenciainternacional.org.br/biblioteca/retrospectiva-brasil-2019.pdf

Como citar

(COORD.), G. F.; MACHADO, D.; DONEGÁ, G.; DOMINGUEZ, M.; MORGADO, R.; REIS, V. Retrospectiva Brasil 2019. Transparência Internacional - Brasil, 2020. E-book. Disponível em: <https://transparenciainternacional.org.br/publicacoes/retrospectiva-brasil-2019/>. Acesso em 18/05/2026.

Formatos disponíveis

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A Retrospectiva Brasil é um relatório analítico independente publicado anualmente pela Transparência Internacional – Brasil. A edição de 2019 é a primeira da série, publicada em janeiro de 2020, em português e em inglês. O relatório registra e analisa os fatos mais relevantes do primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro para a agenda de anticorrupção, integridade pública e governança democrática no Brasil.

A publicação é estruturada em seis seções temáticas: Governo Federal, Congresso Nacional, Tribunais, Ministério Público, Sociedade Civil e Imprensa, e Recomendações.

O cenário de 2019

O relatório parte do diagnóstico de que 2019 foi marcado, em vez de progresso, por resistência; e, em vez de reformas, por retrocessos. O presidente Bolsonaro e parte do Congresso haviam se elegido com base em promessas de combate à corrupção e de implementação de reformas efetivas. O relatório examina, sistematicamente, a distância entre essas promessas e as ações efetivas do primeiro ano de governo.

O eixo central da análise é a interferência política em órgãos fundamentais para o combate à corrupção. Na Polícia Federal, o relatório documenta a pressão presidencial para substituições em superintendências regionais estratégicas, incluindo a do Rio de Janeiro, e as tensões internas geradas por indicações percebidas como politicamente motivadas. Na Receita Federal, registra três mudanças na cúpula da instituição em sequência — incluindo demissões de responsáveis por cooperação interinstitucional em investigações de lavagem de dinheiro — e a declaração pública de descontentamento do presidente com a atuação do órgão. No COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), documenta a demissão do presidente da instituição após suas críticas a decisão do Supremo Tribunal Federal que paralisou temporariamente o compartilhamento de informações de inteligência financeira com investigadores — uma prática consolidada há mais de 20 anos. No CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), registra o esvaziamento do órgão antitruste, reduzido a três conselheiros entre julho e outubro, impossibilitado de funcionar normalmente.

O episódio de maior impacto institucional no Ministério Público foi a nomeação do Procurador-Geral da República Augusto Aras, em agosto, quebrando a tradição de escolha a partir da lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). O relatório examina as implicações dessa decisão para a independência do Ministério Público e para a capacidade de enfrentamento à macrocorrupção.

Governo Federal

A seção analisa as alegações de corrupção que atingiram aliados e familiares do presidente — incluindo o senador Flávio Bolsonaro, investigado pelo esquema da “rachadinha” —; os casos de nepotismo documentados pela imprensa; e as medidas positivas adotadas pela CGU no campo da prevenção e detecção, incluindo iniciativas de fortalecimento das ouvidorias, proteção de denunciantes (whistleblowers) e programas de integridade junto a entes subnacionais.

Congresso Nacional

A seção examina a não aprovação do pacote das “Novas Medidas Contra a Corrupção”, desenvolvido com ampla participação de especialistas e da sociedade civil. O relatório documenta como, ao invés de avançar nas reformas propostas, agentes públicos nos três Poderes passaram o ano contestando e debilitando instrumentos básicos de combate à corrupção já existentes.

Tribunais

O relatório analisa duas decisões do Supremo Tribunal Federal de alto impacto sistêmico: a que transferiu para a Justiça Eleitoral (menos equipada e especializada) a competência para processar crimes comuns, como lavagem de dinheiro, quando houver conexão com crimes eleitorais; e a que determinou a execução de sentenças condenatórias apenas após o esgotamento de todos os recursos — cujos efeitos combinados, no contexto do sistema recursal brasileiro, gerariam impunidade sistêmica em casos de macrocorrupção para réus com recursos financeiros e influência. Também são analisadas as ações do TCU e casos de juízes investigados por corrupção. Na seção sobre antilavagem de dinheiro, o relatório avalia o estado da regulação, os mecanismos de cumprimento e as lacunas identificadas nos instrumentos então vigentes.

Ministério Público

A seção examina o funcionamento das forças-tarefas de investigação, os acordos de colaboração premiada e os desafios de governança para garantir a produção de provas e o compartilhamento seguro de informações entre investigadores nacionais e de jurisdições estrangeiras.

Sociedade Civil e Imprensa

O relatório documenta o papel das organizações da sociedade civil e da imprensa na denúncia de retrocessos anticorrupção, a pressão exercida para que reformas fossem aprovadas e os casos de assédio e ameaças a ativistas e jornalistas registrados no período.

Recomendações

As recomendações da edição de 2019 cobrem os três Poderes e o Ministério Público, com foco em: respeito à independência dos órgãos de controle; aprovação das Novas Medidas Contra a Corrupção; regulamentação e fortalecimento do COAF; reforma do processo recursal para reduzir o impacto sistêmico na impunidade de crimes de colarinho branco; e ampliação dos instrumentos de prevenção à corrupção no nível subnacional, reconhecido pelo relatório como um eixo de atuação com alto potencial de impacto direto na vida dos cidadãos mais vulneráveis.

Grupo de Trabalho

Retrospectiva Brasil 2019

Este relatório destaca os desdobramentos mais relevantes para a agenda anticorrupção no país ao longo de 2019, dividido em capítulos que abordam os três Poderes, o Ministério Público, a imprensa e a sociedade civil.
LÍDER

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