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Há dez anos, a Transparência Internacional – Brasil iniciou sua atuação no país com a convicção de que transparência, integridade e participação social são pilares essenciais para o fortalecimento da democracia. Desde então, a organização construiu uma trajetória marcada pela produção de conhecimento aplicado, pelo diálogo com variados setores da sociedade e pela busca de soluções concretas para desafios complexos da gestão pública, sobre transparência e da prevenção da corrupção.
Ao longo dessa década, a organização apostou na combinação entre rigor técnico, inovação e trabalho em rede. Em parceria com organizações da sociedade civil, instituições públicas, especialistas, jornalistas, academia e atores do setor privado, desenvolveu metodologias, indicadores e ferramentas que ajudaram a ampliar a qualidade das informações públicas, fortalecer mecanismos de governança e promover uma cultura de maior abertura e accountability. Esse esforço colaborativo permitiu transformar dados em evidências, evidências emdebate público e debate público em oportunidades de melhoria institucional.
Os resultados dessa atuação podem ser observados em diferentes frentes: da criação de índices que se tornaram referência nacional para avaliar transparência e governança à mobilizaçãode agendas de integridade em contextos locais e nacionais; da qualificação do debate público por meio de estudos e pesquisas ao engajamento de milhares de pessoas e instituições em torno de causas relacionadas à transparência e ao interesse público. Em muitos casos, essas iniciativas contribuíram para impulsionar avanços concretos em políticas, práticas e padrões adotados por órgãos públicos e organizações.
Estes dez anos revelam a construção contínua de uma rede de pessoas e instituições comprometidas com um Brasil mais íntegro, transparente e democrático. Esta trajetória demonstra que mudanças duradouras são resultado de colaboração, conhecimento e perseverança, e reforça o papel da Transparência Internacional – Brasil como uma organização que conecta evidências, diálogo e ação para gerar impacto positivo na sociedade.
A luta contra a grande corrupção nunca foi simples. Ela desafia estruturas de poder e impacta diretamente a garantia de direitos. Por isso, há dez anos seguimos atuando com independência, evidências e compromisso público. E é por isso que continuaremos. Porque combater a corrupção é uma luta por direitos.
A Transparência Internacional - Brasil é fundada por Bruno Brandão, que já atuava no Movimento global da Transparência Internacional há quase dez anos, e Nicole Verillo, ativista com longo histórico no combate à corrupção e promoção do controle social.
Em 2016, apesar da pauta anticorrupção ter alcançado engajamento inédito no Brasil, a capacidade de enfrentá-la era desigual: mais estruturada em nível federal, praticamente inexistente em Estados e municípios, e pouco desenvolvida nos setores empresarial e ambiental. Diante desse cenário, a Transparência Internacional – Brasil organizou sua atuação inicial em de três frentes: integridade empresarial, com a produção de estudos sobre o setor privado brasileiro; governança local, com a promoção do diálogo com agentes públicos nos níveis estadual e municipal; e integridade ambiental, com a produção dos primeiros estudos conectando as agendas ambiental e anticorrupção. A equipe inicial de quatro consultores se tornaria, ao longo da década, a base para toda a atuação seguinte da organização no país.

Em resposta à versão desfigurada das 10 Medidas Contra a Corrupção aprovada às pressas pelo Congresso Nacional, a Transparência Internacional - Brasil coordenou, com a FGV Direito Rio e a FGV Direito SP, um processo de legislação colaborativa que reuniu 373 instituições e 200 especialistas. Em revisão cega, foram construídas 70 medidas de combate à corrupção, considerado o maior pacote anticorrupção já desenvolvido no mundo.

Para avançar com a agenda anticorrupção e a defesa da democracia no país, a Transparência Internacional - Brasil se aliou a dezenas de organizações na campanha Unidos Contra a Corrupção, que mobilizou mais de 1 milhão de brasileiros.

Ao mesmo tempo que grandes esquemas de corrupção eram revelados no Brasil, também cresceu a discussão sobre como os danos da corrupção poderiam ser reparados. Diante disso, a Transparência Internacional - Brasil assinou um Memorando de Entendimento com o Ministério Público Federal, que resultou no estudo Governança de Recursos Compensatórios em Casos de Corrupção.

A partir de 2019, o país passou a enfrentar uma série de ataques à sua capacidade legal e institucional de enfrentamento da corrupção, revertendo avanços que levaram décadas para serem construídos. Em resposta a esse cenário, a Transparência Internacional – Brasil produziu a série de relatórios Brazil: Setbacks in the legal and institutional anti-corruption frameworks, que motivou uma missão de alto nível do Grupo de Trabalho Antissuborno da OCDE ao país.

Para trazer mais subsídios ao debate público e documentar os principais acontecimentos na agenda anticorrupção nacional, a Transparência Internacional – Brasil começou a produzir a análise Retrospectiva Brasil, divulgada simultaneamente ao Índice de Percepção da Corrupção, produzido pela Transparência Internacional. A análise não possui relação direta com o índice, mas contribui para o entendimento do contexto nacional e fazer a memória anual de avanços e retrocessos no campo.

A pandemia de Covid-19 obrigou que governos de todo o mundo tomassem medidas emergenciais para salvar vidas, mas a falta de transparência poderia impedir que esse socorro chegasse onde realmente era necessário. Em resposta a esse problema, a Transparência Internacional – Brasil avaliou as contratações emergenciais de Estados, capitais e do governo federal e apresentou recomendações de melhorias — implementadadas ao menos parcialmente por todos os Estados ao longo das avaliações.

Ao analisar como a grilagem de terras é viabilizada por práticas de corrupção, fraude e lavagem, a Transparência Internacional - Brasil iniciou uma série de estudos demonstrando a relação entre corrupção, crimes ambientais e mudanças climáticas. Esse conhecimento serviu de base para ações de incidência e apoio técnico, nos anos seguintes, junto a órgãos de controle, anticorrupção e antilavagem, como ENCCLA, CGU, tribunais de contas e controladorias gerais.
Jornalistas que cobrem a Amazônia Legal com frequência enfrentam dificuldade para participar dos principais eventos de jornalismo do país, geralmente realizados no eixo Rio-São Paulo e, assim, de tomar parte de debates relevantes sobre o jornalismo, ainda que produzam reportagens essenciais sobre a região. Para reduzir essa barreira, a Transparência Internacional – Brasil passou a apoiar a participação desses profissionais em eventos como o Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em parceria com a Abraji. A iniciativa já cobriu passagem, hospedagem e inscrição de dezenas de jornalistas da região ao longo de sucessivas edições.

A partir da bem-sucedida experiência com o Ranking de Transparência no Combate à Covid-19, a Transparência Internacional – Brasil desenvolveu o Índice de Transparência e Governança Pública, que avalia periodicamente governos estaduais, assembleias legislativas e municípios brasileiros e estabelece diálogos com os entes analisados para promover melhorias e fomentar a transparência pública. Além de avaliar regularmente avanços na transparência, o ITGP serve como uma competição positiva entre os entes e promove mudanças no curto prazo.

Após a revelação do Orçamento Secreto e o esquema das emendas parlamentares chegar ao Supremo Tribunal Federal, a Transparência Internacional – Brasil ingressou como amicus curiae no caso, ao lado de Transparência Brasil e Associação Contas Abertas. Essa atuação conjunta levou o STF a determinar auditoria da CGU em emendas e contribuiu para decisões do ministro Flávio Dino em favor de maior transparência no uso de emendas.
O Acordo de Escazú, tratado que garante acesso à informação, participação pública e justiça em temas ambientais na América Latina e no Caribe, foi assinado pelo Brasil em 2018, mas até hoje não foi ratificado pelo Congresso Nacional. Para medir o quanto os Estados brasileiros já aplicam, na prática, os princípios do Acordo, a Transparência Internacional – Brasil lançou, em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV), o Índice de Democracia Ambiental, que avalia transparência, participação social e proteção a defensores ambientais nas políticas socioambientais.

Reconhecendo o jornalismo como ferramenta fundamental de combate à corrupção e de defesa da democracia, a Transparência Internacional – Brasil e a ABRAJI criaram o Mesas de Excelência, que passou a reconhecer, dentro da programação do Congresso da ABRAJI, os trabalhos de destaque do ano anterior. Na estreia, entre 135 reportagens inscritas de todo o país, nove foram selecionadas para apresentação, com despesas de viagem custeadas pela Transparência Internacional – Brasil. Em 2026, nova seleção será feita.
Transparência Internacional – Brasil: Há 10 anos lutando por um país livre da corrupção. Uma década de trabalho Há dez anos, a Transparência Internacional –
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