Em 2025, de um total de 230 pronunciamentos e discursos oficiais registrados no portal da Presidência da República, “corrupção” foi mencionada em apenas 13 ocasiões pelo presidente Lula. Essas referências não se destinaram a apresentar políticas públicas, compromissos institucionais ou diagnósticos sobre o enfrentamento do problema. Em nenhuma dessas intervenções houve reconhecimento da gravidade estrutural da corrupção no país, tampouco sinalização clara de prioridades, metas ou estratégias para seu enfrentamento. Pelo contrário, elas concentraram-se em criticar esforços anticorrupção conduzidos no passado, relativizar ou ironizar acusações envolvendo estatais e grandes obras públicas, enquadrar o combate à corrupção como instrumento de perseguição política ou sabotagem econômica e desqualificar o discurso anticorrupção promovido por adversários políticos e pela imprensa.
O presidente da República é o maior responsável por pautar e comunicar à sociedade quais são as prioridades de seu governo. O papel da liderança de uma organização, instituição ou empresa na promoção de políticas de integridade é reconhecido em normativos do próprio governo federal. Por exemplo, o Decreto nº 11.129, de 2022, elenca o compromisso da alta direção, evidenciado pelo apoio visível e inequívoco ao programa de integridade, como um dos elementos para avaliar a sua efetividade. A própria Controladoria-Geral da União exige, no âmbito do Programa Empresa Pró-Ética, que os membros da alta direção das empresas manifestem apoio público ao programa de integridade por diferentes meios e para diferentes públicos, com mensagens de incentivo à adoção de uma conduta ética. Adicionalmente, estabelece exigências quantitativas — ao menos quatro manifestações desse tipo no período sob avaliação.
Ao longo de 2025, contudo, manteve-se o padrão de silêncio sobre a pauta anticorrupção, já identificado em análise da Transparência Internacional – Brasil no ano anterior. À época, o ministro da CGU, Vinícius Marques, desqualificou publicamente essa análise, classificando-a como “conversa de boteco”.