Em 2025, os órgãos de controle do Executivo, especialmente a Controladoria-Geral da União e a Advocacia-Geral da União, seguiram uma agenda de combate à corrupção por meio de seus mecanismos de fiscalização e responsabilização, com alguns resultados positivos.
Segundo dados oficiais, a CGU bateu recorde de processos administrativos no ano anterior, com 76 novos procedimentos que apuram corrupção e atos lesivos à administração pública. Entre os casos, estão suspeitas de irregularidade na Agência Nacional de Mineração (ANM), no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e no combate à Covid-19 no Amapá. A CGU também identificou falhas na execução da política de educação de jovens e adultos (EJA) em 35 cidades brasileiras, com indícios de irregularidade e fraude na aplicação dos recursos. Além disso, em um relatório divulgado em março, a CGU apontou fragilidades na fiscalização da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao MGI, sobre planos de previdência complementar das estatais. Em parceria com a AGU, a CGU assinou dois acordos de leniência com grandes empresas: um com a Qualicorp, uma corretora de seguros, com multa de quase R$ 45 milhões por pagamento de propina e caixa dois, e outro com Trafigura.
Em março, a CGU e a AGU assinaram um acordo de atuação coordenada com o Ministério Público Federal (MPF) para aprimorar a formulação e implementação de acordos de leniência, buscando harmonizar critérios de investigação, compartilhamento de informações, cálculo de multas e responsabilidades civis e administrativas. Essa articulação reflete um esforço para superar divergências e lacunas regulatórias que dificultam a efetividade de leniências no combate à corrupção e outros atos ilícitos contra a administração pública. No contexto das recentes anulações de processos e acordos da Lava Jato, essa articulação entre os três órgãos também busca reafirmar sua capacidade de firmar acordos de leniência e evitar futuros questionamentos. Em dezembro, foi publicada a Portaria Normativa Interministerial AGU/ CGU nº 1, que estabeleceu critérios e procedimentos para a celebração e o acompanhamento de acordos de leniência, com avanços importantes na transparência destes processos.
Ainda no contexto mais amplo de fiscalização do Executivo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo administrativo para apurar possíveis conflitos de interesse envolvendo ministros do governo Lula. Segundo o órgão, os ministros Carlos Lupi (Previdência), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Vinicius Marques de Carvalho (CGU) passaram a integrar o conselho de administração da metalúrgica Tupy S.A. sem consultar a Comissão de Ética Pública da Presidência e, portanto, potencialmente não cumpriram a legislação aplicável para evitar o conflito de interesses. Os ministérios alegam que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem direito às indicações por deter 28% das ações, teria descartado qualquer irregularidade em sua avaliação interna.