O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) consolidou-se, ao longo da última década, como um dos principais instrumentos de monitoramento e promoção do debate público sobre corrupção no Brasil. Produzido globalmente pela Transparência Internacional, a partir do Secretariado da organização em Berlim, o índice reúne diferentes fontes especializadas para medir a percepção sobre os níveis de corrupção no setor público em mais de 180 países. No Brasil, a Transparência Internacional – Brasil é responsável pela divulgação nacional do IPC e, ao longo dos anos, transformou o lançamento do índice em um momento central de balanço institucional e político sobre os avanços e retrocessos da agenda anticorrupção no país.
O lançamento do IPC no Brasil, inclusive, tem se destacado como uma das ações de comunicação de maior impacto entre os capítulos da Transparência Internacional. Na divulgação do IPC 2025, o Brasil registrou 344 menções na imprensa na semana seguinte ao lançamento, alcançando a segunda maior cobertura do mundo entre todos os países monitorados, atrás apenas dos Estados Unidos (456 menções) e à frente de países como México, Alemanha e Itália. Esse desempenho demonstra a elevada relevância do tema no debate público nacional e posiciona o Brasil como um dos casos de maior visibilidade na divulgação global do índice, contribuindo de forma significativa para ampliar o alcance e a repercussão internacional do IPC.
No Brasil, desde 2019, a divulgação do IPC passou a ser acompanhada por uma retrospectiva anual elaborada pela organização, com o objetivo de qualificar o debate público e registrar os principais acontecimentos relacionados à integridade pública, accountability, combate à corrupção e fortalecimento — ou enfraquecimento — das instituições democráticas ao longo do ano anterior.
Por meio dessa retrospectiva, a Transparência Internacional – Brasil passou a documentar, de forma ampla e crítica, decisões judiciais, mudanças legislativas, enfraquecimento de políticas de transparência, ataques a órgãos de controle, riscos de captura institucional e de golpe contra a democracia, avanços em governança pública, além de medidas relevantes de integridade adotadas por diferentes poderes e entes federativos. Ao colocar esses acontecimentos em paralelo à evolução do IPC, a organização contribuiu para ampliar a compreensão pública de que a percepção da corrupção não está associada apenas a casos isolados, mas também à qualidade das instituições, à capacidade de fiscalização e à existência de mecanismos efetivos de controle democrático.
A combinação entre o indicador internacional e a retrospectiva nacional permitiu construir uma leitura contínua e histórica sobre a evolução da integridade pública no país, oferecendo parâmetros comparativos e fortalecendo o acompanhamento temporal dos impactos de decisões políticas e institucionais sobre a percepção da corrupção.
Essa atuação também reforçou o papel da Transparência Internacional – Brasil como uma voz técnica e independente na análise crítica do ambiente institucional brasileiro. Em diferentes momentos da última década, a organização utilizou o IPC e a retrospectiva anual para alertar sobre retrocessos na transparência pública, enfraquecimento de mecanismos de accountability, riscos de impunidade e perda de capacidade institucional no combate à corrupção e na defesa da democracia. Da mesma forma, os materiais também destacaram avanços relevantes, reconhecendo iniciativas de fortalecimento institucional, inovação em governança e ampliação de mecanismos de controle social.


Ao longo dos anos, a Transparência Internacional -Brasil tornou-se um ator importante do debate público, dirigindo críticas a atores sociais de todos os espectros políticos