Retrospectiva BRASIL
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A Grande Família: casos de nepotismo nos Tribunais de Contas

Reportagem revelou que pelo menos 32% de todos os conselheiros de Tribunais de Contas do país têm parentes na política
Renan e Renata Calheiros, de Alagoas, são um exemplo de casal em que ele é político e ela foi nomeada para o Tribunal de Contas, jogando desconfiança sobre o processo de fiscalização de contas públicas. Foto: Divulgação/Redes Sociais

Em 2025, casos de nepotismo voltaram a chamar a atenção no Poder Legislativo. Reportagem do UOL revelou que pelo menos 32% de todos os conselheiros de Tribunais de Contas do país têm parentes na política, um cenário que tem se tornado cada vez mais comum. Isso significa que 74 dos cerca de 225 conselheiros ativos são parentes diretos de figuras políticas — ou seja, são pais, filhos, irmãos, sobrinhos ou cônjuges 

Tornar-se membro de um Tribunal de Contas implica grande prestígio, estabilidade e poder. Não à toa, influentes parlamentares e governadores consolidaram a prática de nomear familiares para vagas nessas instituições, especialmente no âmbito estadual. Na Paraíba, por exemplo, chamou atenção a nomeação de Alanna Galdino, filha do presidente da Assembleia, Adriano Galdino (Republicanos-PB). Além do vínculo familiar, a indicada não atende aos requisitos do cargo e é acusada por auditoria do próprio TCE de ter sido funcionária fantasma no governo estadual.

Também merecem destaque os casos envolvendo esposas de ministros do governo Lula que foram governadores de seus respectivos Estados. Entre os principais exemplos, estão Onélia Santana (TCE-CE), casada com Camilo Santana, ministro da Educação; Aline Peixoto (TCM-BA), esposa de Rui Costa, da Casa Civil; Rejane Dias (TCE-PI), casada com Wellington Dias, do Desenvolvimento Social; Marília Góes (TCE-AP), indicada por Waldez Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional; e Renata Calheiros (TCE-AL), esposa de Renan Filho, ministro dos Transportes.

No caso do Pará, em 2023, o governador Helder Barbalho indicou sua esposa, Daniela Lima Barbalho, para uma vaga no TCE-PA. Em novembro de 2025 a nomeação chegou a ser suspensa por uma liminar que identificou indícios de nepotismo cruzado, que acabou sendo revertida pelo presidente do Tribunal de Justiça, poucos dias depois. No STF, o ministro Dias Toffoli já havia rejeitado em 2023 reclamação constitucional que alegava violação da súmula vinculante que proíbe nepotismo, afirmando que a nomeação por outro Poder – no caso, pela Assembleia Legislativa do Pará – não se enquadra na norma.

O levantamento também destaca que 19 governadores ou ex-governadores têm familiares como conselheiros em Tribunais de Contas e que, em Estados como Alagoas e Sergipe, cinco dos sete conselheiros têm laços familiares com políticos. Além de parentes de membros do Executivo federal e estadual, há casos de parentes que ocupam cargos importantes nas cortes por meio de indicações diretas, como quando um conselheiro sai e o filho assume, ou quando indivíduos próximos a políticos influentes chegam ao cargo por meio de indicações partidárias ou alianças, em um claro conflito de interesses na fiscalização das contas públicas.

Grupo de Trabalho

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