A poucas semanas da realização da COP30, em Belém, a Petrobras anunciou que havia recebido do Ibama uma licença de operação para perfurar um poço exploratório na chamada Margem Equatorial, um trecho de grande interesse econômico na Foz do Rio Amazonas. Diante da possibilidade de impactos ambientais e climáticos graves, a notícia levou a questionamentos sobre o processo de análise e concessão da licença, bem como sobre o papel desempenhado pelos agentes políticos interessados.
Entre os principais defensores da exploração, estão os senadores amapaenses Davi Alcolumbre (União Brasil) e Randolfe Rodrigues (PT), além do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). Caso a viabilidade do bloco seja confirmada, especula-se que os royalties do petróleo possam beneficiar seis Estados da federação: Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. Esses recursos, no entanto, talvez só estejam disponíveis em um prazo de dez anos, quando — e se — a exploração se viabilizar. A liberação da licença, divulgada em outubro, foi entendida como uma troca política do governo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A licença também é resultado de pressão política do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, sobre o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. Outras figuras também defenderam a exploração, como a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Do outro lado, as ministras Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, posicionaram-se de maneira crítica ao projeto, destacando seus prejuízos ao ecossistema amazônico, aos povos originários da região e ao clima global.