Nota técnica

Transparência em Adaptação Climática em Governos Municipais

Capa da nota técnica Transparência em Adaptação Climática em Governos Municipais

Transparência em Adaptação Climática em Governos Municipais

Autores

Nicole Verillo
Letícia Castro
Débora Carvalho
Olívia Ainbinder

Data

URI

https://docs.transparenciainternacional.org.br/biblioteca/transparencia-em-adaptacao-climatica-em-governos-municipais.pdf

Como citar

VERILLO, N.; CASTRO, L.; CARVALHO, D.; AINBINDER, O. Transparência em Adaptação Climática em Governos Municipais. Transparência Internacional - Brasil, 2026. E-book. Disponível em: <https://transparenciainternacional.org.br/publicacoes/transparencia-em-adaptacao-climatica-em-governos-municipais/>. Acesso em 02/06/2026.

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Esta nota técnica integra a série de publicações analíticas produzidas pela Transparência Internacional – Brasil a partir dos dados gerados pelo Índice de Transparência e Governança Pública. O documento, publicado em junho de 2026, analisa os resultados do módulo temático de Adaptação Climática, incorporado pela primeira vez à metodologia na 3ª edição da avaliação dos municípios pelo ITGP, em 2025. A avaliação abrangeu 233 municípios distribuídos em 8 estados das regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste, conduzida por 8 organizações da sociedade civil parceiras da Transparência Internacional – Brasil.

A nota está estruturada em torno da apresentação do módulo, dos resultados gerais e indicador a indicador nas duas dimensões avaliadas — Transparência e Governança (C-TG) e Comunicação e Participação (C-CP) —, seguida de boas práticas identificadas e recomendações dirigidas a prefeituras e organizações da sociedade civil.

O módulo de Adaptação Climática

O módulo é composto por 22 indicadores organizados em duas dimensões. A dimensão Transparência e Governança (indicadores C-TG01 a C-TG12) examina a existência e a publicidade de planos de adaptação e de defesa civil, a estrutura e a transparência dos órgãos responsáveis, e a divulgação de sistemas de alerta antecipado de desastres. A dimensão Comunicação e Participação (indicadores C-CP01 a C-CP10) avalia a existência e o funcionamento de órgãos colegiados, a realização de conferências e audiências públicas sobre mudanças climáticas, a presença de núcleos comunitários de proteção e defesa civil (Nupdecs) e a comunicação digital dos órgãos responsáveis. Os indicadores têm pesos 1 ou 2 conforme a Nota Metodológica do ITGP-M (3ª edição, 2025), e a pontuação final é normalizada em uma escala de 0 a 100, com faixas que variam de “péssimo” a “ótimo”.

Resultado da análise

A análise identifica desempenho médio classificado como “Ruim” no conjunto dos municípios avaliados, com média de 27,6 pontos e mediana de 23,5 pontos. Entre os 233 municípios, 75,1% concentram-se nas faixas “Péssimo” e “Ruim”, enquanto apenas 6 (2,6%) atingiram a classificação “Ótimo” e 22 (9,4%) obtiveram pontuação zero em todos os 22 indicadores. Por tratar-se da edição inaugural do módulo, os resultados de 2025 constituem a linha de base a partir da qual o progresso municipal será aferido nas edições subsequentes.

Dimensão Transparência e Governança

A dimensão Transparência e Governança registrou média de 39,6 pontos entre os municípios avaliados. O documento aponta que os municípios avançam de forma mais consistente na criação de estruturas institucionais formais — 78,1% possuem órgão municipal de meio ambiente (C-TG10) e 62,7% possuem órgão de proteção e defesa civil (C-TG07) — do que na transparência sobre seu funcionamento. O indicador com menor taxa de cumprimento integral da dimensão é o C-TG02 (publicação dos quatro planos setoriais: Plano Diretor, PLHIS, Plano de Saneamento Básico e Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos), atendido por apenas 8,6% dos municípios avaliados. O Plano Municipal de Adaptação Climática (C-TG01), instrumento estratégico de médio e longo prazo previsto na Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei nº 12.187/2009) e na Lei Federal nº 14.904/2024, é publicado por apenas 12,9% dos municípios — o menor índice de cumprimento de toda a dimensão.

A nota registra que 179 municípios (76,8%) não dispõem de nenhum instrumento formal de planejamento climático: nem Plano de Adaptação (C-TG01) nem Plano Plurianual com metas de mudanças climáticas (C-TG05). O documento também examina a transparência financeira e orçamentária dos órgãos de defesa civil e de meio ambiente (C-TG09 e C-TG12), ressaltando que contratações emergenciais são historicamente mais vulneráveis a irregularidades, o que torna a publicação de licitações, contratos e despesas um mecanismo central de controle social.

Dimensão Comunicação e Participação

A dimensão Comunicação e Participação registrou a média mais baixa do módulo: 15,7 pontos, com mediana de 8,9 pontos. O documento aponta que 83 municípios (35,6%) obtiveram pontuação zero em todos os 10 indicadores da dimensão, e que 129 municípios (55,4%) zeraram simultaneamente os três indicadores de participação mais diretos — colegiado de mudanças climáticas (C-CP01), colegiado de defesa civil (C-CP03) e audiências públicas (C-CP08).

O resultado mais crítico de todo o módulo é o C-CP08 (audiências e consultas públicas sobre mudanças climáticas e defesa civil): 92,3% dos municípios avaliados obtiveram nota zero nesse indicador, inclusive capitais estaduais como Curitiba e Porto Alegre. A nota examina também o C-CP01 (colegiado de mudanças climáticas), presente e ativo em apenas 13,3% dos municípios, e os indicadores de comunicação digital (C-CP09 e C-CP10), identificando que 59,7% das prefeituras avaliadas não cumpriram nenhum dos dois critérios mínimos de presença em redes sociais sobre gestão de riscos e mudanças climáticas.

Recomendações

A nota apresenta recomendações organizadas por prioridade e dirigidas a dois públicos distintos.

Para as prefeituras municipais, o documento recomenda ações estruturadas em torno de cada indicador do módulo, entre as quais:

  • elaboração e publicação do Plano Municipal de Adaptação Climática, articulado com o Plano Diretor, o Plano de Contingência de Defesa Civil e o Plano de Saneamento Básico
  • publicação dos quatro planos setoriais em versão vigente e de fácil acesso
  • incorporação de metas de proteção e defesa civil e de mudanças climáticas no Plano Plurianual (PPA)
  • criação, regulamentação e transparência de órgãos colegiados de mudanças climáticas e de defesa civil com participação da sociedade civil
  • realização e documentação de audiências públicas sobre clima e defesa civil ao menos uma vez por ano
  • manutenção de comunicação digital ativa, com frequência semanal nos períodos de maior risco climático

Para organizações da sociedade civil, a nota recomenda o uso dos dados do ITGP-M como insumo para incidência junto a câmaras municipais, Ministério Público e Tribunais de Contas, além da apresentação de minutas de lei para criação de colegiados climáticos e da utilização do e-SIC e de ouvidorias municipais para pedidos de acesso à informação sobre planos, contratos e despesas dos órgãos climáticos.

Grupo de Trabalho

Transparência em Adaptação Climática em Governos Municipais

Análise dos resultados do módulo de Adaptação Climática do ITGP-M 2025, aplicado a 233 municípios em 8 estados brasileiros.
LÍDER

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