Índice de Percepção da Corrupção

Quando a corrupção impede o acesso à saúde, educação e moradia

A corrupção na gestão de recursos públicos nega acesso a saúde, educação e moradia, aprofundando desigualdades e atingindo de forma mais dura as populações vulneráveis.

A corrupção na gestão de recursos públicos segue sendo um dos principais obstáculos ao acesso a serviços essenciais como saúde, educação e moradia. Quando verbas são desviadas, contratos são fraudados ou decisões são capturadas por interesses privados, os impactos recaem diretamente sobre a população — sobretudo sobre os grupos mais vulneráveis, aprofundando desigualdades e injustiças sociais.

O Índice de Percepção da Corrupção 2025 evidencia como falhas de integridade na provisão de serviços públicos comprometem direitos básicos, fragilizam a confiança nas instituições e afetam a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo. A seguir, publicamos na íntegra um trecho do relatório da Transparência Internacional.

Serviços públicos e desigualdade

A corrupção na gestão das verbas públicas impede a população de acessar serviços básicos, afetando seu dia a dia.

Quando há desvio de verbas, superfaturamento em contratos públicos ou exigência de propina para acessar serviços, a população pode ser privada de coisas básicas como saúde, educação, água, eletricidade e moradia.  

Os dados mostram que há uma correlação entre riscos de corrupção e serviços públicos mais instáveis e de menor qualidade. 

O impacto sobre as famílias mais humildes é particularmente severo. Pagamentos extraoficiais e práticas de favoritismo funcionam como um imposto regressivo, incidindo mais sobre pessoas de baixa renda, impedindo-as de buscar tratamentos ou de manter seus filhos na escola. Grupos marginalizados podem ser excluídos dos programas a que têm direito e, nos casos em que o acesso a serviços depende de quem você conhece em vez do conhecimento dos seus direitos, a desigualdade tende a aumentar e a percepção de injustiça se aprofunda.  

Quando as autoridades e os credores responsáveis pela negociação da dívida pública atuam de forma corrupta, eles aumentam drasticamente o risco de crise fiscal e fomentam a desigualdade. Ocultar dívidas do público, receber propinas para aceitar condições desfavoráveis de empréstimo, e se apropriar ilegalmente de fundos tomados em empréstimo são condutas que põem em risco o bem-estar de muita gente.  

Tais práticas colocam os governos num dilema muito complicado: pagar as dívidas ou investir em setores críticos, como saúde, educação e ação climática?

É vital que se reforce a integridade na mobilização, na alocação e nos gastos de recursos públicos. Com isso, as economias se tornam mais estáveis e os serviços mais efetivos, sendo prestados com base nas necessidades e nos direitos da população, não em conexões pessoais ou pagamentos por fora.

Em oito dias, manifestações derrubaram o governo do Nepal

Em setembro de 2025, manifestações lideradas por jovens da Geração Z derrubaram o governo do Nepal. A insatisfação vinha crescendo há tempos, causada pela percepção da corrupção e do nepotismo praticados pelas elites políticas e suas famílias, bem como pelas vastas desigualdades e instabilidade econômica resultantes. A insurreição eclodiu em resposta a restrições impostas à liberdade de expressão, mas ganhou vulto conforme as autoridades usavam de força para reprimir os protestos em vez de abordar as questões de integridade e tentar responsabilizar os agentes corruptos. Em oito dias, um novo governo foi formado, o que mostra a rapidez com que um líder pode perder o poder do qual tinha se acostumado a abusar.

Quanto pior a percepção de corrupção, piores os serviços de saúde

Países com pontuações maiores no IPC tendem a fornecer serviços essenciais de saúde com maior cobertura e qualidade. Neles, a saúde é mais acessível e disponível à população.

*este conteúdo foi publicado originalmente no Índice de Percepção da Corrupção e adaptado para este espaço.
Grupo de Trabalho

Quando a corrupção impede o acesso à saúde, educação e moradia

A corrupção na gestão de recursos públicos nega acesso a saúde, educação e moradia, aprofundando desigualdades e atingindo de forma mais dura as populações vulneráveis.
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