A abolição ainda não chegou ao Supremo

O Brasil acabou formalmente com a escravidão, mas segue excluindo mulheres negras dos espaços onde o país é decidido.

O STF nunca teve uma ministra negra

Em mais de 130 anos de história, o Supremo Tribunal Federal teve 168 ministros e ministras. Apenas quatro eram negros.

Nenhuma mulher negra ocupou uma cadeira na Corte.

O 13 de maio marcou o fim legal da escravidão, mas os direitos nunca chegaram plenamente à população negra.   A abolição não garantiu terra, moradia, trabalho, educação, segurança ou participação política à população negra. Os efeitos dessa ausência continuam moldando quem ocupa — e quem continua fora — dos espaços de poder.

A corrupção não é só desvio de dinheiro.

Ela também aparece quando o Estado funciona para concentrar riqueza, direitos e influência nas mãos de poucos — enquanto a maioria fica longe dos espaços reais de decisão.

É preciso mudar quem ocupa as instituições, quem define prioridades, quem interpreta direitos e quem decide o futuro do país. Sem diversidade nos espaços de poder, o Estado tende a reproduzir os mesmos interesses de sempre.

Combater corrupção estrutural exige democratizar o poder

Uma ministra negra no STF é uma decisão concreta sobre democracia, reparação e integridade pública. Uma Corte mais plural amplia sua legitimidade, aproxima a Justiça da sociedade brasileira e ajuda a enfrentar estruturas que historicamente mantiveram mulheres negras fora do poder. 

O Judiciário ainda está longe de parecer com o Brasil.

A próxima escolha pode repetir a história ou começar a repará-la 

No país que deixou a população negra sem direitos após a abolição, indicar uma mulher negra ao STF é mais do que representatividade. É enfrentar a corrupção estrutural pela raiz: democratizando o Estado por dentro. Presidente Lula, a história espera essa escolha.